Simpósio da Família 2019

Confira as fotos do Simpósio da Família 2019 realizado no dia 23/06/2019 na sede da IBPV e que teve como tema “Família no Divã”.

Confira também, abaixo, as perguntas e respostas do simpósio.

PERGUNTAS/RESPOSTAS DO SIMPÓSIO IBPV 2019: “FAMÍLIA NO DIVÔ
  1. Atualmente as escolas tem  influenciado os adolescentes, muitas vezes tirando a autoridade dos pais, como administrar isso?
    É preciso rever o papel da autoridade exercido em casa. Nada pode influenciar a autoridade desde que a mesma seja construída com diálogo e verdade. Neste quesito é preciso ser transparente e deixar claro os papéis. O caminho é o diálogo. A base está em casa. (Autor: Winnicott).
  1. Como explicar aos filhos o divórcio dos pais, de forma que entendam e não sofram?
    O divórcio nunca é bom mesmo dentro das melhores circunstâncias, ou seja,  separação sem brigas. A vivência de uma separação é absolutamente subjetiva. Não há uma receita de como lidar. Sempre é sofrido. O ideal é procurar um terapeuta cristão para minimizar o dano, pois, o mesmo é fato.
  1. A ideologia de gêneros tem sido dissiminada nas escolas e na sociedade de forma direta e indireta, como  proteger nossos filhos para que  não sejam influenciados?
    A ideologia de gênero não pode ser ensinada nas escolas segundo o BNCC. Caso isso ocorra, os pais devem procurar a delegacia de ensino e fazer uma queixa. Segundo a BNCc aprovada em 2017 só há dois gênero homem e mulher.
  1. O aumento do divórcio e separação de casais pode ter ocasionado o aumento da homossexualidade devido a falta da figura masculina ou feminina dentro de casa?
    Não necessariamente. A homossexualidade surge na medida em que os pais se depreciam. A mulher deprecia o marido e vice-versa e ainda quando o casal não expressa sentimentos entre marido e mulher. Os filhos precisam ver que os pais se amam.
  1. A pedido de meu esposo concedi o divórcio, perante Deus estou livre para um novo relacionamento?
    Não podemos obrigar o cônjuge querer viver com seu cônjuge. Se não, segundo a ética da situação opta-se pela separação e aquele que não optou pela separação estará livre. Se o casal é crente, deve usar todos os meios bíblicos e terapia de casal para a relação ser mantida.
  1. O verdadeiro amor de um casal  acontece  antes ou durante a convivência?
    O casamento é uma construção diária. Ele precisa de nutrientes. Se não há violência e terrorismo psicológico o mesmo se perpétua sob a responsabilidade do dever. O amor cresce e se fortalece.
  1. Redes sociais e crianças, o que pode e o que não pode, quais os limites?
    Até os treze anos o pensamento da criança é concreto e isso quer dizer que ela está começando a criar ideias. Por isso, o uso da internet deve ser acompanhado. Após os quatorze o pensamento passa a ser formal (Piaget). Isso quer dizer que a criança cria ideias e sabe definir as coisas, porquanto mesmo assim os pais não devem deixar a criança fazer o que quer. É a fase mais complicada.
  1. Homossexualismo, como falar e trazer a visão cristã para nossos filhos?
    A Homossexualidade deve ser falada abertamente. Se há algum indício é bom que se identifique se é “isolada”; “circunstancial” ou “consolidada”. Os teóricos dizem que o adolescente vive uma “difusa” sexualidade. Os pais e filhos cristãos logo entendem que o casamento é heterossexual. Deus fez homem e mulher. O que “trinca” com isso se constitui pecado.
  1. Quando a “lepra” na casa é identificada pelos pais, é respeitado, mas quando identificada pelos filhos os pais não aceitam, como os filhos devem se posicionar para que sejam ouvidos e também respeitados?
    Aqui há um problema. Os filhos devem amar os pais e respeitá-los. Mas, neste caso deve-se pensar como a relação evolui, geralmente os filhos observam as falhas dos pais desde cedo. Como chamar a atenção dos pais vai depender da própria relação. Os filhos podem ajudar os pais, mas é necessário identificar, qualificar e quantificar a própria relação, pois se esta relação não for construída, partirá para o confronto.
  1. Existe mesmo tratamento para déficit de atenção e  hiperatividade de crianças e adolescentes?
    Sim, existe medicamentos ansiolíticos. Mas, tanto o déficit de atenção como a hiperatividade respondem bem ao tratamento psicoterápico.
  1. Como identificar as pessoas certas para pedir ajuda, sem correr o risco de o “ajudador” compartilhar o problema com outras pessoas?
    Veja bem, a igreja através de seus líderes devem resgatar a missão de confessor. Isso implica em três posturas:
    Temor do Senhor:  Isso implica em discernimento;
    Ética: Neste quesito, o confessor deve antes de tudo respeitar. É preciso que isso fique claro. Demonstrar confiança. E o que está sendo dividido está sob sigilo;
    Empatia. Se colocar no lugar do outro.
    Obs. Isso faz parte da missão da igreja como uma comunidade terapêutica. No caso do profissional psicólogo a ética já está imposta e se o profissional ferir este preceito o mesmo pode ser penalizado pelo CFP. No caso do confessor espiritual cabem estas três coisas acima. É preciso conquistar a confiança.
  1. A “lepra” só atinge pais e filhos, ou pode advir ou se estender  também a família toda (sobrinhos, irmãos, sogros, etc)
    Sim. Eu usei o texto de Levítico 14:33-47 como ilustração. Pode ser uma interpretação alegórica? Sim. Mas se contextualizamos, podemos colher lições. Quais? Os mais diferentes “focos” que podem “comprometer” a família inteira. Um pouco de fermento leveda a massa inteira.
  1. Hoje dependemos muito da tecnologia,  como voltar a um processo retrô? Voltar ou diminuir o uso é praticamente impossível, ou não?
    Nada pode nos roubar a “crítica”. Qualquer coisa que nos torna subserviente dela é nociva e perniciosa. A tecnologia está a serviço do homem, mas o homem não pode estar ao seu serviço. Portanto, tudo tem limite. Se perdermos este limite, perdemos o maior dom que o Criador nos deu, a liberdade. Se a mesma for engolfada já deixamos de ser pessoa.
  1. O celular e outras tecnologias vieram para distrair, assim como foi no tempo de Noé onde as pessoas estavam distraídas? É um instrumento demoníaco, para que pessoas ocupem suas mentes e acessem coisas que não agradam a Deus?
    A Tecnologia deve estar a serviço do homem. Não podemos ignorar sua importância. Contudo, é usado para fins do mal. Sempre é bom lembrar que tudo aquilo que beneficia o homem em prol da “humanidade” , faz parte da Revelação Geral de Deus. Aqui cabe a ciência. A revelação especial é a salvação em Cristo. A geral faz parte de todo aparato para minimizar o sofrimento da existência humana.
  1. O que dizer a uma pessoa que duvida da existência de Deus, alegando que se Ele existisse não permitiria que sua mãe morresse  quando ele  tinha 10 anos e sua irmã 5?
    A existência depois do advento do pecado ficou confinada às leis  que compõem a existência enquanto fenômeno. Neste caso Deus é Deus independente de ele ter feito isso ou aquilo. Deus só intervém na história quando tem fins específicos, o     contrário à existência segue seu curso com virtudes e vicissitudes.
  1. A entrada da mulher no mercado de trabalho e o desemprego do homem tem mexido com a estrutura de seus papéis na família?
    Sim. Não deveria, mas influencia tanto para o bem quanto para o mal. A relação deve ser construída com os devidos papéis. Vivemos tempos diferentes, esse “diferente” nos exige uma adaptação. Quem não está disposto a se adaptar não estará pronto para casar. Nesta nova ordem a relação “trabalho” não pode afetar, desde que todos  se adaptem, sem trincar com os devidos papéis.
  1. Não tolero tatuagem e meus filhos amam, isso tem gerado conflito na família, como lidar com essa situação?
    Os tempos mudam. Muitas coisas que até pouco tempo era reprovável, hoje é normal. Por exemplo: usos de vestes e costumes. A mulher não podia vestir calça comprida, não podia se maquiar e nem tão pouco cortar o cabelo. Essa visão que começou com o “puritanismo” no século XVII na Inglaterra hoje está superada. A tatuagem é uma questão pessoal. Logo a mesma vai ser entendida como um apetrecho ou “acessório” como já está. No caso dos filhos, se são adultos, os pais podem não aceitar, não concordar e dizer o que pensam. Eu vejo que assim como foi a maquiagem nos anos 70 no contexto de igreja assim é a tatuagem hoje. Mas, tudo tem limite e bom senso. Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.  Coríntios 6:12.
  1. A Bíblia diz que o divórcio é permitido apenas em caso de adultério, mas  hoje tem sido comum os cristãos se divorciarem por diversos motivos,  e  não é correto, como ficam esses casais perante Deus?
    A máxima do casamento é não separar. Isso é indiscutível. Contudo, o casamento segue aquilo que o próprio Senhor é o modelo – Isaías 54:4. Ele é esposo de Sião. O adultério continua o motivo pelo qual se pode separar. No entanto, é bom lembrar que existem os mais diferentes tipos de “adultérios”. Neste caso se usa a “ética situacionista”. Cada caso é um caso. Isso quer dizer que depende da situação. Se não for analisada essa situação o casal está no pecado e terá que responder por isso. Diante de um conflito deve-se usar todos os meios possíveis para restaurar a relação. Esgotadas todas as ferramentas compete ao Pastor, caso o casal seja cristão, como conduzir o processo de conscientização diante da separação.

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